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quarta-feira, fevereiro 28, 2024
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Concentração da riqueza cresce enquanto bilhões vivem na pobreza

A concentração de riqueza aumenta enquanto bilhões de pessoas lutam para sobreviver

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Com informações deAgência Brasil

Um novo relatório da organização Oxfam revela que a fortuna dos cinco homens mais ricos do mundo mais que dobrou desde 2020, alcançando um valor impressionante de US$ 869 bilhões. Esse aumento representa uma taxa de US$ 14 milhões por hora. Enquanto isso, durante o mesmo período, quase 5 bilhões de pessoas se tornaram mais pobres.

O relatório, intitulado “Desigualdade S.A.”, destaca a preocupante tendência de acumulação de riqueza entre os super-ricos, enquanto bilhões de pessoas lutam para sobreviver. Se as tendências atuais persistirem, o mundo poderá ter seu primeiro trilionário em uma década, enquanto pode levar mais de 200 anos para erradicar a pobreza. A Oxfam propõe uma série de medidas para romper esse ciclo de acumulação de riqueza, incluindo a oferta de serviços públicos, a regulamentação das empresas, a quebra de monopólios e a implementação de impostos permanentes sobre a riqueza e os lucros excedentes.

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Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil, enfatiza que a concentração de riqueza entre os super-ricos agrava as desigualdades, especialmente em termos de raça e gênero. No Brasil, as disparidades de renda e riqueza estão alinhadas com as desigualdades raciais e de gênero, sendo que a maioria dos super-ricos são homens brancos. Maia afirma: “Para construir um país mais justo e menos desigual, precisamos enfrentar esse pacto de branquitude entre os mais ricos”.

As descobertas do relatório em relação ao Brasil revelam que, em média, a renda das pessoas brancas é mais de 70% maior do que a das pessoas negras. Quatro dos cinco bilionários brasileiros mais ricos viram sua riqueza aumentar em 51% desde 2020, enquanto no mesmo período 129 milhões de brasileiros se tornaram mais pobres. A pessoa mais rica do país possui uma fortuna equivalente à metade da população mais pobre do Brasil, ou seja, 107 milhões de indivíduos. Além disso, o 1% mais rico detém 60% dos ativos financeiros do Brasil.

Publicado no dia de abertura do Fórum Econômico Mundial de 2024 em Davos, Suíça, o relatório também destaca a influência significativa dos bilionários no mundo corporativo. Sete das dez maiores empresas globalmente têm um bilionário como CEO ou acionista majoritário. Essas empresas têm um valor estimado de US$ 10,2 trilhões, superando o PIB combinado de todos os países africanos e latino-americanos.

De acordo com a Oxfam, o poder corporativo desenfreado e os monopólios contribuem para a desigualdade ao pressionar os trabalhadores, promover a evasão fiscal, privatizar o Estado e agravar a crise climática. A organização argumenta que as empresas canalizam a maior parte da riqueza mundial para uma parcela ínfima da população que já é super-rica.

Amitabh Behar, diretor executivo interino da Oxfam Internacional, afirma que a sociedade está testemunhando o início de uma década de divisão, com bilhões de pessoas sofrendo os impactos da pandemia, inflação e guerras, enquanto as fortunas dos bilionários continuam a crescer. Behar ressalta: “Essa desigualdade não é acidental. A classe bilionária está garantindo que as corporações entreguem mais riqueza a si mesmas em detrimento de todos nós”.

Os dados do relatório também revelam que, de cada US$ 100 em lucros obtidos pelas 96 maiores empresas do mundo entre julho de 2022 e junho de 2023, US$ 82 foram para seus acionistas mais ricos.

Além disso, de acordo com a análise da Oxfam de dados da World Benchmarking Alliance, apenas 0,4% das grandes empresas se comprometem publicamente a pagar salários justos. A organização estima que uma mulher que trabalhe no setor de saúde levaria 1.200anos para ganhar a mesma quantia que um CEO médio de uma das 100 maiores empresas da Fortune ganha em um ano.

A Oxfam faz um apelo para que os governos assumam a responsabilidade e reduzam significativamente a lacuna entre os super-ricos e o restante da sociedade. Isso inclui garantir saúde e educação universais, bem como explorar setores-chave como energia e transporte. A organização recomenda que os governos intervenham para acabar com os monopólios, empoderar os trabalhadores, taxar os lucros corporativos enormes e investir em uma nova era de bens e serviços públicos.

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O relatório da Oxfam enfatiza a necessidade de os governos controlarem o poder corporativo, incluindo a quebra de monopólios, a democratização das regras de patentes, a legislação de salários justos, a limitação dos salários dos CEOs e a imposição de impostos sobre os super-ricos e as empresas. Estima-se que um imposto sobre a riqueza dos milionários e bilionários poderia gerar US$ 1,8 trilhão por ano.

Além disso, a Oxfam sugere uma reinvenção dos negócios, transferindo a concentração de renda dos acionistas para os trabalhadores. Segundo a organização, empresas de propriedade democrática distribuem a renda empresarial de forma mais equitativa. A Oxfam estima que se apenas 10% das empresas adotassem esse modelo, haveria uma redução significativa na desigualdade de renda.

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