A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) apura a conduta de uma clínica veterinária em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Câmeras de segurança registraram o momento em que funcionários da empresa soltaram dois cães em uma via sem asfalto, na última quinta-feira (5).
A clínica mantém contrato com a Prefeitura de Ponta Grossa para o atendimento e a castração de animais de rua. O vídeo, que viralizou nas redes sociais, mostra a equipe fora de uma ambulância veterinária. Os profissionais liberam os cachorros, tiram fotos e deixam o local.
O delegado Romeu Ferreira conduz o caso. Ele busca contato com os envolvidos para esclarecer os fatos e verificar se as ações obedecem às normas vigentes. O foco da polícia é garantir a legalidade do controle populacional e proteger os animais contra qualquer suspeita de maus-tratos.
Defesa da clínica
A área onde os animais ficaram fica perto de uma linha férrea e de uma região de mata, fato que gerou questionamentos da população. Em nota, a clínica informou que resgatou os cães no dia 20 de fevereiro, vítimas de atropelamento.
A empresa garante que prestou assistência integral. Os animais passaram por tratamento emergencial, castração e receberam o ciclo vacinal completo. A clínica afirma que a devolução ao local de origem integra o procedimento de Captura, Esterilização e Devolução (CED). Segundo a empresa, trata-se de uma estratégia ética de manejo populacional, adotada mundialmente, que não configura abandono.
Posição do município
A Prefeitura de Ponta Grossa declarou que a empresa agiu dentro da absoluta regularidade. O Executivo citou a Lei Municipal nº 9.019/2007, que orienta o atendimento a animais comunitários — aqueles sem tutor comprovado.
Prefeitura de Ponta Grossa
Nota enviada ao Jornal Colabore
A devolução de animais ao local de origem não se confunde com abandono, trata-se do procedimento CED (Captura, Esterilização e Devolução) para cães, assim como para gatos, estratégia de manejo populacional ético que envolve a castração de animais comunitários ou de rua e a sua devolução ao local de origem após um período de recuperação segura, reconhecida e utilizada mundialmente
De acordo com a prefeitura, após o atendimento no Centro de Referência para Animais em Risco (CRAR) e a alta médica, a lei determina a devolução do animal ao local onde ele costuma circular. O município destacou ainda que microchipa e cadastra todos os animais, com fiscalização de médicos veterinários da Secretaria Municipal de Saúde. Hoje, a clínica contratada realiza de 15 a 20 castrações por dia na cidade.