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quinta-feira, julho 18, 2024

Coluna – Precisamos conhecer nossas raízes

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COLUNA BLACK POWER

Por Nilde Sampaio

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Para a nossa luta diária sobre os nossos direitos contra os preconceitos que sofremos, pelas humilhações e falta de dignidade em que, infelizmente, o povo negro brasileiro em sua maioria vive. Agora com a pandemia, a situação piorou em todos os sentidos, sociais e econômicos, o que não dá nem para dizer que o negro vive, e sim, sobrevive no Brasil.
Grande parte desta população passa por diversas dificuldades, o que já foi constatado em pesquisas do IBGE, como a Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, em 2019 e outros meios idôneos de pesquisa comprovando, por exemplo, o baixo nível de escolaridade como um dos principais pontos da desigualdade social.

O baixo índice de escolaridade dos nossos irmãos negros levam a enorme desvantagem no momento de irmos em busca de um bom emprego, de um salário que permita nos dar uma vida confortável para nossos filhos e possamos buscar por nossos direitos onde eles realmente estão. Mas infelizmente, apesar do baixo índice de escolaridade, temos outra questão agravante, mas esse é fator histórico: a nossa cor, nossa negritude.

Sou preta sim, com muito orgulho, mas desde pequena senti na pele dificuldades de ser e ter nascido assim, tão ‘’pretinha’’, ‘’neguinha’’, ‘’carvão’’, ‘’macaca’’, ‘’cabelo Bombril’’, ‘’cabelo duro’’… Enfim, raros serão os negros que quando lerem esse texto, não saberão do que estou falando. E sei quantas portas foram fechadas para mim, mas nunca abaixei a cabeça para isso, fingia não me abalar com o que ouvia ou fingia não ouvir e com isso, fui ganhando o respeito de quem me xingava.

Até então, não tínhamos nenhum negro de extrema representatividade no Brasil como hoje

Até eu ver Taís Araújo, Maju Coutinho, Camila Pitanga, Lázaro Ramos e demais exemplos que mostram que o estudo pode levar o negro onde ele quiser. Senti que ser negra não é só isso.
Ser negro no Brasil é ter garra, lutar pelo que quer, é sofrer sim, mas também é ser história, o DNA do país canarinho. Através da cultura, língua, crença e fisiologia do povo africano (principalmente, mas não somente), escravizado e trazido para cá a partir do século 16, que se formou e consolidou o Brasil que conhecemos hoje.

Os negros brasileiros mal sabem de sua história: o seu passado, o passado dos ancestrais, a sua essência, etc. Isso gera, até mesmo em nós negros, um preconceito contra aspectos da nossa história, como o respeito às religiões de matrizes africanas que sofrem um enorme pré-conceito. Isso tudo por falta de conhecermos o que são e o que nos representam, por pura ignorância.

Semana passada, Paulinho, atacante da seleção olímpica de futebol, fez uma saudação a Exu: ‘’Que Exu ilumine o Brasil’’. Pela manifestação, o jogador foi elogiado, mas também houveram comentários preconceituosos, mas digo por mim mesma que sempre respeitei todas as religiões. Tinha um olhar com um certo preconceito até de alguns anos, passar a entender melhor que ser negro é também saber que estas religiões de matrizes africanas fazem parte da própria essência e merecem todo respeito.

Merecem que nós busquemos conhecer e sair da ignorância sobre o que diz respeito à história e ao passado do negro desde a Diáspora, até o seu destino… o Brasil, no caso. Creio que é mais fácil buscar minha história sobre a chegada dos meus no Brasil desde à Diáspora na África, para assim, contar aos meus filhos o quanto a nossa história é rica e como nossos antepassados fizeram do Brasil um país tão lindo. Tão diverso, tão plural, tão preto!


Por Evanilde Neves Sampaio Rodrigue e revisado por Vinicius Sampaio

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